O objectivo de este pequeno devaneio é o de contar os contos que me vão na imaginação.
Espero que consigam partilhar da minha visão e que tenham tanto prazer a lê-los como eu tive a escreve-los.
Chronos
Para a criança dentro de nós
O objectivo de este pequeno devaneio é o de contar os contos que me vão na imaginação.
Espero que consigam partilhar da minha visão e que tenham tanto prazer a lê-los como eu tive a escreve-los.
Chronos
À primeira vista, o Miguel era uma menino normal, igual a muitos outros.
Tinha uns pais que gostavam dele, amigos com quem brincar, e um irmão para as traquinices…
Mas o que não se via, era o que o tornava diferente.
Era também filho de um Deus.
Ele sabia que era diferente, pois ouvia e sentia coisas que mais ninguém sentia.
Ao adormecer mesmo antes de embarcar no seu sonho, podia sentir o mundo cantar-lhe uma sinfonia de embalar sobre historias de eternidades.
Nos seus sonhos, tudo era possível…
Cavalgava um corcel de nuvens, viajava por mundos distantes, brincava com a luz das estrelas…
Sentia os partidos e os recém chegados.
No seu corcel, olhava para baixo e via as pessoas, movimentando-se numa dança coreografada de vidas vividas.
Ao despertar ainda podia sentir as nuvens a acariciarem-lhe o rosto.
Num dia igual aos outros, jogava futebol com os amigos, quando de repente, tropeça e cai.
Deitado no chão ele sente nuvens circundar o seu corpo, e quase que pode senti-las a acaricia-lo.
O Miguel abre os olhos e ve o seu corcel à espera, pronto para o levar em mais uma aventura.
Rapidamente salta para o seu dorso, embarcando na viagem.
Voando graciosamente em direcção ao céu, o corcel galopava velozmente.
Para trás o Miguel via o mundo a ficar cada vez mais distante, as pessoas mais pequenas, as casas miniaturas, o mundo um berlinde…
Nunca o seu corcel tinha voado tão alto,tão depressa, e o Miguel perguntou:
– Para onde me levas hoje?
– Para onde me chamam – responde o corcel.
Quando passaram pelas nuvens, estas abriram-se como que a formar uma escolta real.
– Nunca viemos tão longe – diz o Miguel.
– Nunca fomos a casa do teu Pai.
Ansioso o Miguel imaginava a sua aparência.
Voando cada vez mais rápido, o corcel dirigia-se em direcção às estrelas.
O Miguel apercebe-se que estavam cada vez mais perto de uma em particular.
Esta brilhava com uma intensidade diferente, uma luz alva, destacando-se no firmamento.
O Miguel pergunta-se como nunca tinha reparado nela, pois era algo como nunca tinha visto.
– Para onde vamos? – Pergunta novamente o Miguel ao seu corcel.
– Estamos a chegar…
E com uma ultima aceleração o corcel funde-se com a estrela.
Um clarão enorme ofusca tudo em redor, e tudo pára.
Lentamente tudo volta, abrindo os olhos o Miguel vê.
Vê pessoas de hoje e de ontem.
– Podes descer – diz o corcel.
– Onde estamos? – pergunta o Miguel.
– Acho que sabes onde estás.
E na realidade tudo lhe era familiar. Começando a andar ele dirige-se para casa.
No caminho todas as pessoas lhe sorriem familiarmente.
– Miguel!
Uma voz vinda de todo o lado preenche espaço, chamando o seu nome.
– Miguel!
Estranhamente familiar, a voz continua a chamar o seu nome.
Parado, a tentar descobrir quem o chama, o Miguel repara que as pessoas em volta também pararam.
Um brilho sereno e calmo começa a emanar de todas as pessoas.
A luz preenche todo o espaço e novamente…
– Miguel!
A luz começa a definir contornos e aparecendo-lhe um rosto familiar…
– Pai? Mãe?
O Miguel abre os olhos e, ajoelhados ao seu lado, estão os seus pais.
– Pregaste-nos um susto grande – diz a mãe.
– Está tudo bem contigo filho? – questiona o pai.
Por uns instantes o Miguel tenta perceber o que aconteceu, e lembra-se do futebol, da queda, da viagem…
Nesse instante, olhando para o Pai e para a Mãe, o Miguel reconhece a Luz.
Tudo se torna claro, e com um sorriso ele descobre o que sempre soube.
– Filho? – pergunta a Mãe.
– Está tudo bem agora, Mãe.
E um conforto enorme encheu-lhe o coração.